Lolita - Vladimir Nabokov

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  • Editora: Suma de Letras
  • Autor: Vladimir Nabokov
  • Gênero: Romance
  • Páginas: 376
  • Avaliação:
"A única história de amor convincente de nosso século."
Vanity Fair


Irreverente e refinado, este é um dos romances mais célebres de todos os tempos. É também uma aventura intelectual que não deixa ninguém indiferente, um relato apaixonado de uma sensualidade alucinada, uma autópsia implacável do modo de vida americano. De um lado, um homem de meia-idade, obsessivo e cínico. De outro, uma garota de doze anos, perversamente ingênua. A química se faz e dá origem a uma obra-prima da literatura do nosso século. Lolita é chocante, desafia tabus, escandaliza.

O livro foi incorporado ao imaginário coletivo da modernidade, e até o nome da personagem tornou-se um substantivo corrente, provas do alcance e da genialidade do autor.
Lolita é um dos mais importantes romances do século XX. Polêmico, irônico, tocante, narra o amor obsessivo de Humbert, um cínico intelectual de meia-idade, por Dolores Haze, Lolita, 12 anos, uma ninfeta que inflama suas loucuras e seus desejos mais agudos.

A obra-prima de Nabokov, agora em nova tradução, não é apenas uma assombrosa história de paixão e ruína. É também uma viagem de redescoberta pela América; é a exploração da linguagem e de seus matizes; é uma mostra da arte narrativa em seu auge. Através da voz de Humbert, o leitor nunca sabe ao certo quem é a caça, quem é o caçador.

Nabokov compôs a maior parte do manuscrito - que ele mesmo chamou de "bomba-relógio" - entre 1950 e 1953. Nos dois anos seguintes, ouviu recusas de cinco editoras norte-americanas ("pura pornografia", disse-lhe uma). Em 1955, foi finalmente aceito por uma obscura editora francesa, a Olympia Press. Em junho, assinou o contrato; em outubro, recebeu os primeiros exemplares, cheios de erros tipográficos.

O livro inicialmente não foi bem-recebido; uma revista pensou em publicar trechos, mas foi desaconselhada por advogados. No início de 1956, sua sorte mudou. Graham Greene havia colocado Lolita entre os melhores livros de 1955 numa edição do Sunday Times. A repercussão cresceu; em agosto de 1958, foi finalmente publicado nos EUA. Em setembro, alcançou o primeiro lugar na lista de mais vendidos. O sucesso faria com que Nabokov deixasse de dar aulas para viver apenas de sua literatura.

"Num primeiro momento, a conselho de um velho e calejado amigo, tive a humildade de estipular que o livro deveria ser lançado anonimamente. Duvido que eu jamais vá me arrepender de pouco depois, percebendo o quanto a máscara tenderia a trair minha causa, eu ter decidido assinar Lolita", escreve o autor no posfácio Um livro intitulado Lolita. No texto, escrito em 1956 para a edição americana, Nabokov faz esta e outras reflexões sobre sua motivação para escrever Lolita, a gênese da obra, a dificuldade para publicá-la e sua polêmica repercussão.

Sobre as acusações de imoralidade, o autor escreve: "Lolita não traz a reboque moral alguma. Para mim, uma obra de ficção só existe na medida em que me proporciona o que chamarei sem rodeios de prazer estético, isto é, a sensação de que de algum modo, em algum lugar, está conectada a outros estados da existência em que a arte (a curiosidade, a gentileza, o êxtase) é a norma. Não existem muitos livros assim."

"Antiamericano" foi outro adjetivo atribuído à obra:  "Isto é algo que me dói consideravelmente mais que a acusação idiota de imoralidade. (...) Considerações de profundidade e perspectiva (um gramado nos subúrbios, uma campina nas montanhas) levaram-me a construir uma variedade de cenários norte-americanos. (...) Só escolhi os motéis americanos em vez de hotéis suíços ou estalagens inglesas porque estou tentando ser um escritor americano e reivindico os mesmos direitos concedidos aos outros escritores americanos. (...) E todos os meus leitores russos sabem que meus velhos mundos - russo, britânico, alemão, francês - são tão fantasiosos e pessoais quanto o meu novo."

Sua Lolita, segundo Nabokov, não foi inspirada em nenhuma personagem real, muito menos o sedutor de meia idade Humbert. "Lolita é ficção da minha imaginação. Quando pensei no tema, não pensei em nenhuma garota especificamente. Na verdade, eu não conheço meninas tão bem, apenas as havia encontrado socialmente ao longo da vida. Humbert também nunca existiu. É um homem que eu inventei, um homem com uma obsessão, assim como muitos dos meus personagens sofrem de algum tipo de obsessão. Enquanto eu escrevia o livro, vários casos de homens mais velhos perseguindo jovens garotas começaram a ser publicados nos jornais, mas eu encarava isso apenas como uma interessante coincidência", declarou o autor em entrevista a BBC inglesa concedida em 1962.

Mas uma das melhores definições da obra-prima é mesmo do próprio autor. Ainda no posfácio de 1956, Nabokov usa a seguinte metáfora para explicar sua relação com o livro mais famoso: "Todo escritor sério, atrevo-me a afirmar, percebe este ou aquele livro que publicou como uma presença permanente e reconfortante. Sua chama-piloto está sempre acesa em algum ponto do porão, e basta um toque aplicado a nosso termostato particular para provocar uma pequena e discreta explosão de calor familiar. (...). Não reli Lolita desde que revisei suas provas na primavera de 1955, mas o considero uma presença deleitável agora que ele paira discretamente pela minha casa, como um dia de verão que sabemos que está luminoso por trás do nevoeiro."
"Quando Deus quer castigar um homem, 
Ele lhe dá exatamente o que esse homem mais deseja"

Essa é a tragédia de Humbert.

Não existe lógica na arte de amar. O que é o amor? Duvido que você, você mesmo que está lendo as minhas divagações neste momento, possa me responder. E se puder, tenho a mais pura certeza, de que essa sua certeza um dia vai mudar. Por que o amor, é inconstante, inenarrável, impossível de se medir e de descrever.

Depois de uma grande luta interna, resolvi me deixar envolver por Lolita. Se deixar envolver... Foi exatamente isso que Humbert fez, navegou no mais profundo abismo de sua loucura, de sua doença, de sua necessidade animalesca por jovens. E dentre todas elas, eis que surge Lolita.

Lolita é o tipo de leitura que você devora pela ansiedade, por querer saber o que vai acontecer, por tentar descobrir o que o personagem vai fazer. Assim, li sem preconceitos ou qualquer julgamento.

É um livro que trata de uma mente perturbada? Sim! É grotesco, surreal, fora da lei? Sim! É complicado pensar que um homem de meia idade, apaixonado por uma menina com idade para ser sua filha, e que mantém com ela relações sexuais, que faz dela muitas vezes uma escrava de seus próprios de desejo, e que quebra todas as moralidades possíveis? Sim! Sim! Sim! Mas, devo confessar que vergonhosamente, acabei torcendo por Humbert em alguns momentos, por notar a tortura interna e a eterna luta da mente de um homem totalmente obsessivo com o comportamento, com as artimanhas e atitudes de uma "garotinha" nem um pouco ingênua.

O livro retrata um amor sem pré-conceitos de idade, mas que pisoteia qualquer regra da ética e do bom senso, e cospe na cara da sociedade por burlar essas regras de maneira tão sórdida. Trata-se de um romance condenável e apaixonante. As atitudes do protagonista são muito pouco louváveis, até o ponto em que sufocam Lolita de ciúmes, exigências e superproteção. Vemos claramente o personagem perder o juízo, a lógica, a razão...

E mesmo assim, ao terminar o livro fiquei totalmente cativada por Humbert, um homem que tornou-se um joguete do próprio coração. Em meu conceito, Lolita era mais do que uma menina, não conto as vezes em que vi nela a sombra da própria loucura de Humbert; Ela foi sua cura, mas também seu veneno.

Com uma dura leitura, por vezes enfadonha com a quantidade de descrições que seriam descartáveis a obra, várias citações em francês que me deixaram maluca, uma critica ferrenha a Freud e ao seu estilo de psicanálise, e com um enredo anti-social que eu nunca vi numa obra desse gênero, Lolita é com certeza, um livro merecedor de figurar na lista das obras mais inesquecíveis do século XX.

Capas
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 Filmes
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(1962 - Stanley Kubrick)     
(1997 - Adrian Lyne)

3 comentários:

Babi Lorentz disse...

Eu já tinha ouvido falar sobre esse livro e sua resenha me deixou com vontade de conhecer a história. Pelo visto, houve muita repercussão. Livros assim me deixam curiosa, rs. Vou ver se consigo lê-lo.
Beijão

Patricia Lima disse...

Eu tenho muita vontade de ler esse livro. Já vi essa edição numa livraria e a achei linda *-*
Pelo que você falou é uma leitura 'pesada', mas acho que foi isso que me interessou nesse livro.

Bjs! =*

Fábrica dos Convites disse...

Eu tenho este livro mas não li aindda. Bjs, Rose.

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